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As montanhas do Jardim Gramacho 14 agosto, 2007

Posted by Patricia Magrini in pluralidade, sustentabilidade.
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É o maior aterro sanitário da América Latina. Cenário do documentário Estamira (2005), o polêmico Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho gera muitos impasses ambientais e sociais. Com sua capacidade saturada, inúmeras famílias da região metropolitana do Rio de Janeiro tiram seu sustento da coleta do lixo ali depositado.

Quando foi implantado, em 1978, o aterro não recebia nenhum controle ou monitoramento ambiental, ou seja, era na verdade um grande “lixão”. Foi instalado numa área de manguezal, com 1,3 milhão de metros quadrados, às margens da Baía de Guanabara, no município de Duque de Caxias. Hoje, há quase 30 anos de funcionamento, recebe diariamente 7 mil toneladas de lixo urbano proveniente da cidade do Rio de Janeiro e dos municípios de Duque de Caxias, Nilópolis, São João de Meriti, Queimados e Mesquita.

A partir de 1992, iniciou-se um processo de estudo para a recuperação técnica da área do lixão. O manguezal do entorno era costumeiramente atingido pelo chorume que escorria pelas suas laterais. Uma barreira periférica impediria esse extravasamento. Essa ação conjugada com outras soluções técnicas daria ao local características de aterro sanitário. Em 1995, a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro decidiu realizar os serviços necessários para o desenvolvimento desse programa de recuperação com preocupações sanitárias e ambientais.

Nesse período, foram construídos um sistema de captação e tratamento de chorume, um sistema de captação e queima de biogás, um centro de educação ambiental e um centro de triagem de materiais recicláveis operado pela cooperativa de catadores. O lixo recolhido é compactado e coberto com argila, evitando focos de incêndio e proliferação de vetores. Há também um trabalho de recuperação do manguezal do entorno com replantio de mudas e propágulos. Segundo a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb), responsável pela administração do aterro, foi realizado um importante trabalho de recuperação de áreas degradadas no qual se observa o crescimento da vegetação recuperada espontaneamente pela natureza.

Porém, especialistas afirmam que hoje mesmo com todas as recuperações, a vida útil do aterro já se esgotou e sua condição de sobrevida é bastante complexa. Para monitorar os possíveis escorregamentos, foram instalados sensores de deslocamento horizontal ou vertical da argila ôrganica. No entanto, o risco de acidente ambiental é latente com possibilidade de danos para a Baía de Guanabara, uma vez que o peso do maciço de lixo pode provocar uma ruptura da camada de argila orgânica que serve como subsolo ao aterro, expulsando este material na direção da Baía.

O que resta para o Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho é uma “sobrevida” monitorada. Isso enquanto se busca uma solução sustentável ambiental, econômica, jurídica e socialmente para a destinação dos resíduos sólidos da região metropolitana do Rio de Janeiro. Essa solução urge, pois é consenso entre os geotécnicos que avaliaram o aterro que as operações do mesmo precisam ser encerradas.

Mas o que fazer com toda aquela montanha de lixo? Entre outras medidas, a Comlurb abriu em dezembro de 2006 licitação para o uso do biogás na área do aterro. O objetivo é gerar recursos para a Prefeitura na forma de créditos de carbono obtidos com a redução das emissões de gases de efeito estufa. A empresa selecionada, além de investir em toda estrutura operacional, deverá depositar, anualmente e durante 14 anos, o valor de R$ 1,2 milhão para o Fundo de Participação dos Catadores de Gramacho. Com a desativação do aterro, essa pode ser uma saída para o sustento dos inúmeros catadores e suas famílias que ali trabalham.

Para quem quiser ter a experiência de conhecer o maior aterro sanitário da América Latina, a Comlurb aceita visitas de grupos organizados. É preciso agendar. Informações: visitacomlurb@rio.rj.gov.br ou 21 2214-7275.

(Matéria para a revista digital Plume Mag, Janeiro 2007)

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